2016

Maternidade Real ou Exagero? Como as pessoas estão vendo?

10:00

Conversando com umas primas do Rapha, me peguei pensando agora ¨Qual a impressão da maternidade eu estou passando para as pessoas?¨.  Estávamos conversando, eu (mãe), uma prima do Rapha que também já é mãe, e uma que não. E ela nos disse a seguinte frase:  Do jeito que vocês falam não da nem vontade ter um filho! e fiquei pensando, será que passamos uma imagem tão ruim da maternidade assim? Ou só estamos falando sobre realidades?

Pensando bem, cada família, cada mãe, cada filho, cada pessoa, cada ser humano tem suas particularidades e suas realidades né? Não podemos nos espelhar em nenhuma maternidade, como a vida, tudo é uma caixinha de surpresa.

Eu, por exemplo, como muitas de vocês (eu acho), senti o MAIOR AMOR do mundo ao ver o Muri pela primeira vez, pegar ele nos meus braços foi a coisa mais mágica que já aconteceu na minha vida, era um amor tão grande, tão grande que no primeiro dia no hospital eu mal dormi, imaginei comigo, que nunca mais sentiria um cansaço e iria reclamar de qualquer coisa que seja por ter aquele AMOR ali comigo.  Lembro também de como o Rapha ficou, nós dois passamos a noite toda admirando o Muri, hora o Rapha estava com ele no colo, depois eu, ele quase não ficou no bercinho, um sonho, parecia tudo perfeito, que tudo iria correr tão bem dali pra frente.

Os três dias de hospital foram mágicos, PERFEITOS, chegamos em casa, noites continuaram longas, ele sempre acordando e me ajudando (ou na verdade, eu acordando ele), mistura de sentimentos louca dentro de mim, cansaço, amor, medo, desespero, tristeza, solidão e um milhão a mais. Mas acima de tudo eu estava realizada, meu filho lindo e saudável.  Do que eu deveria reclamar? Eu sempre tive muita ajuda, eu podia dormir todas as manhãs se quisesse, pois tinha ajuda da Tia Célia, reclamar de uma maternidade assim? O que eu sabia sobre ser mãe? Acreditem, eu me pegava pensando nisso. E começava a entrar nessa paranóia sem fim.



Esse foi o momento onde esqueci do Rapha e da nossa vida de casal, pelo menos, nos primeiros 3 meses foi assim, vi nossa relação ir no zero, nem nos encostávamos se não para passar o Muri de um pra outro. Me culpei de novo, só estava pensando no meu filho, como isso? Não sei dividir meu tempo?  Meu relacionamento vai acabar?  Rapha já tem outra, não gosta mais de mim. Brigas, Brigas, Brigas e mais Brigas, por tudo, por cada detalhe palavra que um falasse.  Temos chances ainda? Será?

E então hoje ouvi outra frase da prima (ainda não mãe), que me fez relembrar isso de novo Se for para não ter mais vida de casal, eu não quero ter filho! 
Sim, eu e o Rapha chegamos a esse ponto de não ter vida de casal, e como eu sei que a nossa conversa foi boa para nós três? Porque podemos identificar o que eu disse lá em cima todas as pessoas são diferentes, todas as famílias são diferentes, todos os relacionamentos são diferentes. Não podemos levar tudo ao extremo. SER MÃE É MARAVILHOSO, LINDO, MÁGICO, O MAIOR AMOR QUE EU JÁ SENTI NA MINHA VIDA. Mas, não vamos levar a ¨maternidade real¨ ao extremo, passamos por momentos difíceis que podem ser enfrentados e vencidos com muito companheirismo por parte dos dois no relacionamento após os filhos.

A vida do casal realmente fica meio conturbada podemos dizer nos primeiros meses do bebê, até que nós principalmente nós mamães super protetoras, apaixonadas, alucinadas por nossos filhos, conseguimos associar que precisamos dispensar parte do nosso tempo para o nosso companheiro, umas horinhas para jantar juntos, seja em casa mesmo após o bebê dormir, um jantar fora e deixar o bebê com alguém de confiança. Quem vê acha que isso acontece com tanta naturalidade né?  Mas não acontece não, é muito difícil dar o primeiro passo para voltar a ter uma vida de casal novamente.
Eu relutei muito, sofri muito nas primeiras saídas, mal conseguia me concentrar no que estava fazendo, mas saia, cansada, esgotada, eu ia, o acompanhava ria, brincava e salvamos o nosso relacionamento.  Ou mantivemos o nosso amor?  Nem sei direito como descrever.

Ah, hoje vocês vivem um conta de fadas?  Bemmm longe disso, a vida com uma criança requer adaptação dos dois, Rapha é uma pessoa totalmente o meu oposto, desapegado de tudo, eu sou grude, família,família, família, amor, carinho, atenção sem limites. Aprendi com ele a ser meio termo, aprendi com ele a ser reservada. Perguntem a nossos amigos e familiares quantas vezes nos veem trocando carinho na frente deles?  Com certeza conseguem contar nos dedos.  Isso não significa que não temos momentos assim, o Rapha odeia demonstrar carinho na frente das pessoas, mas comigo em casa só eu e ele é sempre carinhoso do jeito dele. Aprendi a aceitar!

Tudo isso me fez pensar qual a imagem da maternidade estou passando para as pessoas?  Então achei a resposta enquanto estávamos conversando mesmo, para nós pode ter sido um pouco mais difícil e conturbado o começo e toda essa confusão por não termos planejado ter um filho e sim ser pegos de surpresa. Como se nossa vida tivesse dado um giro de 360 graus de um dia para o outro. Será que tudo isso aconteceu porque não tivemos um momento casal, antes do Muri. Digo casal que mora junto eu aprender as manias dele e me acostumar com tudo isso antes? Acredito que em partes sim.

Porém, me senti no direito de falar para ela TENHA FILHOS SIM, É A MELHOR COISA DA VIDA, E VOCÊ APRENDE MUITO E TUDO SE AJEITA COM MUITO ESFORÇO TODOS OS DIAS. Nos dedicamos a tudo na vida, porque não nos esforçarmos e nos adaptarmos a uma situação nova de ter uma vida com filhos?

Tudo o que eu passei não significa que ela vai passar, talvez, com o planejamento que ela está fazendo tudo possa ser mais tranquilo ou mais fácil, tudo possa acontecer como o planejado ou não, não podemos adivinhar, e sim tentar só assim iremos descobrir.



E vocês meninas? Conhecem alguém que já falou isso? Ter medo de ter filhos, por tudo o que lê? Ou escuta?

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1 comentários

  1. Oi, Cami!! Nossa, ouço essa frase de muitas amigas!! Para falar a verdade, eu mesma, assim que casei, não pensava em ter filhos tão cedo. Tinha plena noção do que demandava ser mãe. Afinal de contas, sou filha de alguém. Minha mãe sempre se dedicou para nos dar o melhor possível. Sempre lutou muito, abriu mão de seus sonhos inúmeras vezes por não serem compatíveis com o que ela esperava para a gente. Trabalhava demais e, no fim do mês, todo seu salário era gasto comigo e com meu irmão. Então essa era minha referência e eu ainda não estava disposta a me entregar tanto assim a alguém que ainda nem existia. Era consciente. Até um dia em que me deu uma vontade absurda de ser mãe. Eu sabia que era a hora, que estava preparada porque, conscientemente, estava disposta a abrir mão de mim mesma por outro alguém... que nem existia ainda. Quando Lucas nasceu, nem o amor que eu sentia por ele, nem as dificuldades da maternidade faziam jus ao que tinham me falado. O amor era ainda maior do que eu imaginava e as dificuldades eram ainda mais desafiadoras. Mas, considerando a devida proporção, era, sim, o que eu já imaginava que seria. Então, da experiência que eu tenho, o que posso te falar é que quando nossas amigas falam essas coisas elas realmente querem dizer isso. Porque, neste momento, ainda não estão preparadas para tanta dedicação. Um dia estarão. ;) Adorei o post! Beijos, querida!!

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