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Mãe adolescente, mãe solteira... o que é isso na realidade! PARTE 1

19:28



Obvio que engravidar aos 17 anos não é nada fácil. Alias, engravidar não é nada fácil, não importa a forma.

Começando por todas as mudanças hormonais que ocorre em nosso corpo, as alterações físicas e psicológica. Depois por conta de todas as preocupações que se iniciam ao descobrir que você está gerando um ser!

Obvio que alguns fatores dificultam ou facilitam todo o processo gestacional, a idade, o companheiro, a família, a cultura, etc.

Mas o que é ser mãe solteira? Alias o que é ser mãe adolescente E solteira?

Vou dividir esse texto em duas partes, se não irá ficar muito longo.

Então vamos com a primeira parte: vou falar um pouquinho primeiro da gravidez da adolescência:

Engravidar em tenra idade não é nada fácil, primeiro porque seu corpo não está preparado para receber um outro ser ainda, ele ainda está em desenvolvimento. Aí eu escuto, mas minha bisavó teve minha avó com 14 anos, me desculpa a grosseria, mas isso não entra em questão, eram outros tempos, se você não sabe nosso corpo se adapta a determinadas situações, e não, atualmente o corpo de uma menina de 14 anos não está preparado para receber em seu ventre um feto!

Além de todas as complicações físicas que os eu corpo sofre, existe a questão emocional da própria adolescente.

Eu engravidei aos 16 anos, e tive a Mariane aos 17. Eu tive milhares de complicações durante toda a gestação, por conta da idade? Não tanto, mas por conta do emocional, além de estar grávida com 16 anos o pai da minha filha rompeu o relacionamento de 3 anos no inicio da minha gestação. Se uma adolescente já entre em crise quando rompe seu namoro, imaginem uma adolescente GRÁVIDA?! Perrengue? Isso foi só o começo...

Eu não tive líquido amniótico durante a gestação, fiquei internada praticamente a gestação toda sentindo muita dor, e mesmo com todo o sacrifício eu sabia que podia perder o bebê ou que ele poderia nascer com alguma deformidade por conta da falta do líquido. Aí você imagina o emocional:

Gravidez à término de namoro à complicações na gestação

É não foi fácil, as críticas que eu ouvi dentro e fora do hospital por ter engravidado na minha idade foram inúmeras, dentro da escola, na minha própria família por parentes mais distantes, com os amigos, enfim.

Eu tinha diversos medos e eles variam de:
- não quero perder meu bebê;
- como vou terminar a escola;
- como vou sustentar uma criança;
- como vou fazer faculdade;
- como vou poder aproveitar a minha vida;
- como vou educar uma criança sem o pai; etc

Eram inúmeros e não preciso relatar todos eles aqui, mas eles me acompanharam por muito tempo.

Quando a Nanne nasceu a minha maturidade aflorou imediatamente, eu me senti capaz de praticamente tudo, mas mesmo assim alguns medos me acompanhavam ainda, porém eu entendi que não podia deixa-los me parar, pelo contrário eu tinha que ser capaz de supera-los, não por mim, mas por ela.

Terminar o colégio foi o primeiro passo. Se é fácil, NÃO! Porém deixar de estudar é o maior erro de todos, você tem uma criança agora, precisa mais do que tudo de qualificação para entrar no mercado de trabalho e sustenta-la.

Deixar seus sonhos de lado é o segundo passo. Infelizmente muitos dos seus sonhos de adolescente vão ser deixados de lado, pois agora você não é mais a prioridade. Outros sonhos serão substituídos, e novos sonhos serão criados.

Encarar a realidade é fundamental! Ok, você teve um bebê, isso te faz uma prostituta? Não! Isso te faz alguém menos capacitado? Não! Acabou coma sua vida? Não!!! Então não dê ouvidos as críticas infundadas que te fazem! Foi errado, sim, não vamos ser hipócritas em dizer que não, porém vamos ser realistas que já aconteceu e pensar no que pode ser feito de melhor a partir de agora! Se lamentar, se auto punir, se auto depreciar não vai ajudar em nada!

Eu não parei de estudar, terminei o colegial aos trancos e barrancos porque a Nanne era prematura e precisava de cuidados especiais 24 horas! Eu pude contar com a minha mãe para me ajudar, porém essa ajuda foi muito difícil, pois minha mãe até hoje entende a minha gravidez como uma traição a ela! Mas o que eu podia fazer se eu não tinha mais ninguém? Nem com o pai da criança eu podia contar. Eu tinha que me calar frente às reclamações e insultos dela e agradecer pelo amor dela pela minha filha, mesmo ela não aceitando a forma que a minha filha veio ao mundo.

Corri atrás da minha faculdade, meus pais não possuíam rendimentos para me ajudar a pagar, o jeito foi correr atrás de emprego e tentar bolsa de estudos. Só eu e Deus sabemos o que eu passei para terminar essa faculdade, só Ele sabe o quanto tive que batalhar para pagar e principalmente para estudar! Eu não tinha apenas que me preocupar em estudar e passar nas provas, eu tinha que me preocupar em trabalhar o suficiente para pagar minha faculdade, me sustentar durante o tempo que estava fora de casa, me locomover de casa até o trabalho e depois para a faculdade, e da faculdade até em casa novamente! Quantas e quantas vezes eu não voltei andando boa parte do caminho do Mackenzie até a minha casa (de ônibus eu demorava cerca de 2 horas, não, não era nada perto). Por causa disso eu desisti? Não! Pelo contrário, me esforçava cada dia mais para que tudo isso pudesse melhorar!

Se da vontade de jogar tudo para o alto? Obvio, quantas e quantas vezes eu desabava de chorar por conta das dificuldades, por conta dos insultos e brigas com a minha mãe, por conta da ausência na vida da minha filha, por conta de tudo que tive que abrir mão por ela... perdi as contas de quantas vezes indaguei a Deus porque estava passando por aquilo...

Enfim, ser mãe adolescente não é fácil, porém não pode ser visto como um crime, um pecado, um final! Você está gerando um ser para ter uma nova vida, o caminho que você irá percorrer será cheio de obstáculos e dificuldades, mas só você pode escolher a melhor forma de caminhar.


Eu errei muito durante toda minha vida, tenho a plena consciência que errei muito mais que acertei. As condições que tive não foram das piores, mas também não foram as melhores, muita coisa poderia ter sido diferente? Sim, mas não foi! Hoje eu sou formada em Direito em uma das melhores instituições de ensino do país, meu trajeto foi mais tortuoso e difícil por conta da gravidez, sim, mas não me impediu de chegar ao meu objetivo. 

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