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Paternidade, qual é o real papel?

Eu realmente acredito no ditado: "barriga não segura marido", porém isso não significa que não cria um pai! Nenhum relacionamento amoroso deve ser mantido apenas por conta de uma gestação, mas isso não se estende à responsabilidade paterna. 

Eu namorei com o pai da minha filha por muitos anos, e engravidei aos 16 anos. No segundo mês de gestação nos afastamos por completo. Durante a gestação foi muito complicado essa situação, fui muito difamada por ser mãe adolescente e ainda por cima solteira. Eu passei minha gestação quase inteira internada e a Mariane mesmo assim nasceu muito prematura. Quando você é jovem não consegue entender muitas coisas, ainda grávida eu não conseguia entender como ele pode se afastar no momento em que eu mais precisava, estava gerando um filho e precisava mais do que nunca de apoio. Hoje eu vejo que não é apenas a mãe que precisa do apoio do pai, mas a criança. Durante toda a gestação a criança possui a percepção dos sentimentos maternos, e quando a mãe não está psicologicamente bem tende a passar isso para o feto.

Um pouco antes da Nanne nascer eu tinha muito medo, porém todo esse medo se foi quando eu a vi pela primeira vez. Meu corpo foi tomado por uma coragem súbita, que eu chamo de maternidade! Eu registrei minha filha sozinha, acompanhei ela no hospital todos os dias de sua internação acompanhada apenas dos meus pais e família. No dia de sua alta da UTI neo natal eu lhe fiz uma promessa. de que nunca deixaria nada lhe faltar, seria sua mãe e seu pai integralmente!

A Nanne teve um breve contato com o pai em a partir do seu segundo ano de vida, que não passava de algumas visitas esporádicas. Muitas pessoas me perguntavam se ela não sentia falta de ter um pai, mas eu sempre pensei comigo, como você pode sentir falta de algo que nunca teve? Na realidade as visitas do pai para ela se igualava com as visitas que meus amigos e parentes a fazia.

Eu acredito que durante os primeiros anos de vida a falta do pai na vida da criança não é tão influenciável exatamente por nunca ter tido contato, como disse, como uma criança vai sentir falta do que nunca teve. Ela não tem maturidade o suficiente para analisar o tipo familiar, verificar que outras crianças possuem algo que ela não. Isso não significa que a presença do pai não é fundamental, porém nessa fase ainda pode ser passada sem grandes traumas.

No meu caso a Nanne sempre teve muitas pessoas a sua volta, além da presença diária dos meus pais e irmãos  ela cresceu cercada de toda minha família e amigos, o que foi a minha principal base para suprir qualquer atenção que ela necessitasse.

Para a mãe essa fase é a mais complicada, uma vez que os julgamentos de terceiros são muito cruéis, a nossa responsabilidade é muito grande, nosso medo de não dar conta acaba nos sufocando. Mas nessa hora só tenho um conselho: "Respire fundo, olhe para o seu bebê e veja o quanto você é abençoada por ter uma linda criança e mantenha-se forte, por você e principalmente por ela, busque essa força não somente no seu interior, mas no brilho dos olhos de seu filho."

Com o inicio da vida escolar muitas perguntas surgiram, mas Graças a Deus eu não tive grandes problemas com a Nanne com relação a ausência de seu pai, sempre conversamos muito abertamente sobre qualquer dúvida que ela trazia, respondia a todas suas perguntas e questionamentos. Eu e toda minha família sempre nos desdobramos para que não faltasse nada a ela, não somente material, mas principalmente e especialmente para que não faltasse amor, atenção, alegria, espiritualidade. As consultas na psicologa desde cedo também foram de grande ajuda para que ela entendesse e aceitasse a ausência do pai, não como uma falta.

Eu não posso dizer que a ausência paterna foi algo benéfico para a vida da minha filha, pelo contrário, mas sou a prova viva de que isso não significa um fardo, uma fatalidade. Eu coloquei minha filha em primeiro plano, ela sempre foi minha prioridade e isso fez com que eu pudesse representar tanto o papel de mãe como o papel de pai.

Hoje eu vejo o quanto o papel de um pai é importante para a vida de uma criança, mas a falta dele não é uma desgraça. A partir dos oito anos eu acredito ser uma fase no qual a falta do pai poderia ser um pouco mais traumática, o contato com os amiguinhos, a percepção de um padrão familiar pode sim afetar mais. As perguntas dos amiguinhos, o próprio bullying, são questões mais complicadas para a criança, pois aqui ela começa a sentir falta de algo que ela vê, entende, porém não tem.

É importante ter um pai? Sim, porém um pai presente, um pai que acompanha a rotina da criança mesmo que a distância, um pai que não poupa esforços para ser PAI! Ser pai é entender que atenção afetiva é diferente de atenção material, um pai que vá além de algumas horas nos finais de semana, um pai que possua de fato um laço afetivo com seu filho. Eu escolhi a faculdade de Direito quando passei a perceber o quanto a justiça é falha com relação à esse assunto, obrigar um homem a ver uma criança durante algumas horas esporadicamente não o torna pai. Os laços socioafetivos são muito mais importantes do que os laços genéticos.

Eu tive a sorte de me casar com uma pessoa que assumiu o papel de pai extraordináriamente! A Nanne e o Marcos possuem uma relação literalmente de pai e filha, é engraçado e lindo o ciúmes que ela tem dele, um ciúmes que ela não tem nem de mim. A felicidade dela transborda quando ele chega do trabalho, um amor sincero! As vezes eu tenho uma pontinha de ciúmes, preciso assumir, mas logo ele passa, pois sei que para ela esse contato é mais do que especial. Como ela mesmo diz, é um pai de coração! Pode não ter laços sanguíneos, mas tem um laço muito maior, o do amor, sincero e puro.

Hoje mais do que nunca eu posso dizer, pai não é quem faz é quem cria!




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