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Campanha Contra a Legalização do Aborto

Fui convidada por muitas meninas para participar da Campanha Contra o Aborto, escolhi deixar aqui no blog o meu posicionamento sobre o assunto, porque antes de falar sobre isso, eu quero contar uma história que eu vivi quando estava grávida. Que me fez mudar opinião sobre a legalização do aborto. 


No 6º mês de gestação, como fazíamos todos os dias eu já estava morando com o Rapha e ele me deixava na casa da minha mãe na parte da manhã todos os dias, para eu ver minha família e ir trabalhar com a minha mãe, naquele dia eu entrei e sentei na minha cama, ainda estava com sono, queria dormir mais um pouco antes de sair, quando sentei, senti um dor insuportável e parecia que eu tinha feito xixi na cama. A cama ficou encharcada de um líquido transparente, gritei pela minha mãe, ela veio correndo olhou e já ligou para o Rapha, me deu uma toalha, o líquido não parava. O Rapha trabalhava bem perto da minha casa, rapidinho chegou, fomos correndo para o pronto socorro no Santa Joana, e pela primeira vez ele errou o caminho, tamanho o nosso desespero, eu me contorcia de dor, não consegui ficar no carro, disse correndo, não me levaram para a emergência, pegamos ficha e pasmem, ESPERAMOS 40 MINUTOS, 40 MINUTOS  para conseguir fazer a ficha, sim, só para fazer a ficha. A dor piorava cada vez mais, todas as outras grávidas iam passando na minha frente, até que eu chamei o Rapha e disse que não aguentava mais, que eu ia desmaiar de tanta dor.  

Ele pirou né? Gritou, bateu na mesa e só assim eles vieram nos dizer o porque da demora, dois jovens, eu perdendo líquido, o que eles acharam?  Que havíamos tentado abortar, PRECONCEITO total, não puxaram meu nome, não fizeram nada durante 40 MINUTOS para nos dar uma punição pela tentativa de aborto que NÃO FIZEMOS, e eu já havia passado no pronto socorro do mesmo hospital antes desse episódio, quando puxaram o meu nome depois de 40 minutos, viram que eu já havia passado lá, que tinha cartão de pré-natal e tudo mais. Eu acredito muito em Deus, e foi ele, que não nos deixou perder o nosso filho por um preconceito, depois que fizeram a ficha e viram a besteira que tinham feito, eles me mandaram direto para o ultrassom e depois já me deram medicação o dia todo passamos 7 ou 8 horas no hospital, não deixavam o Rapha me ver com medo de que se acontecesse alguma coisa ele falasse do descaso que passamos. 

Hoje lembrando desse episódio eu choro, sempre que lembro e agora ainda mais que estou revivendo essa história escrevendo para vocês, no dia não havíamos avisado nossos pais, a empregada avisou minha mãe e no final da tarde apareceram minha sogra e minha mãe no hospital, lembro do quanto chorei contando para elas o que passamos, que estávamos perdendo o nosso bebê e que eles não fizeram nada, acharam que merecíamos aquilo, aquela dor, por nada.  Hoje eu penso, e se isso tivesse acontecido?  Meu filho não iria voltar, ninguém iria me dar nada que tomasse aquela dor. Porque passamos por isso? Só porque éramos jovens?  




EU CAMILA SOU CONTRA O ABORTO EM MIM, não vou ser hipócrita de falar que não pensei em abortar quando descobri a gravidez, pensamos sim, mas o nosso coração não nos deixou tomar essa decisão. Sofremos preconceito de todas as formas, por isso, eu não julgo quem já abortou ou vai abortar, cada um sabe sobre a sua vida e sobre os seus problemas é como um relacionamento, você nunca sabe o que se passa dentro. Por isso, meninas, eu não postei foto da campanha no Facebook, porque não vou julgar as pessoas como fui julgada no hospital e quase me deixaram perder o meu filho, por preconceito! 

O aborto é feito todos os dias a gente querendo ou não, 2 a 3 mulheres morrem por dia com abortos ilegais, o que estamos escolhendo com a legalização, é se as mulheres vão ser presas ou não, ou se continuamos aceitando esse número de mortes por dia ou não. Mesmo com legalização o aborto não vai ser uma forma de acabar com o cuidado que todas as mulheres tomam. Por isso. Eu prefiro falar sobre mim, sou contra o aborto no meu corpo, no das outras mulheres são elas quem decidem! 

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