2015

Apresentação Colaboradora - Lissa Hashimoto

15:03

Meu nome é Lissa Cristina, tenho 25 anos, sou formada em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, sou esposa e mãe da Mariane Yumi (Nanne). Fui jovem mãe aos 17 anos. A minha história no começo, como tantas outras, parecia um drama, muitos obstáculos tiveram que ser superados ao longo desses oitos anos. Tenho certeza que na maioria dos meus desesperos se eu tivesse alguém para me ajudar, alguém que pudesse me espelhar ou ao menos esclarecer minhas dúvidas tudo teria sito mais fácil, mais ameno, então por isso aceitei o convite da Camila para compartilhar as minhas experiências com vocês.

Comecinho da minha história
Eu namorava com o pai da minha filha há três anos quando descobri que estava grávida, eu estava com 16 anos e ele prestes a fazer 19. Estávamos indo para a aula de inglês quando pedi para que parasse em uma farmácia, pois minha menstruação estava atrasada alguns dias. Fizemos o teste dentro da escola de inglês, e sim, deu positivo.
O desespero bateu imediatamente. No dia seguinte eu decidi contar primeiro para minha professora de Literatura, a pessoa na qual eu possuía mais afinidade, ela me acalmou e pediu para que contasse aos meus pais.
A minha relação com a minha mãe sempre foi muito complicada, nunca tivemos uma relação de amizade, não tinha o hábito de contar nada pra ela, raramente conversávamos. Não havia contado para minha mãe que tinha perdido a virgindade, pois ela nunca ia aceitar, e consequentemente não tomava anticoncepcionais.

Eu estava com muito medo de falar, então pedi para uma amiga da minha mãe e para uma amiga minha me acompanharem no dia que eu fosse conversar com ela, não resolveu muita coisa. Ela ficou muito furiosa, me levou para fazer o exame de sangue (e obvio deu positivo), chegamos em casa e ela me fez contar para o meu pai. Para minha mãe minha gravidez foi uma traição (à ela), ela rotula como uma apunhalada em suas costas. O meu pai, surpreendente foi muito mais calmo, e aceitou a situação muito mais fácil.
As famílias conversaram e decidiram marcar casamento e montar uma casa, mas todo esse planejamento foi pelos ares em algumas semanas. Tivemos desentendimentos, que não vem ao caso, e ele e toda sua família simplesmente desapareceu.
Eu passei a ter complicações, e não produzia Líquido amniótico (gestação oligoâmnio) passando praticamente a gestação inteira internada. Nem o pai da minha filha, nem a sua família me procurou durante a gestação, não tivemos nenhum contato, porém minha relação com a minha mãe melhorou um pouco, ela e toda minha família se manteve ao meu lado, deixando as diferenças de lado e isso nos uniu como nunca havíamos estado antes. Eu não podia frequentar a escola, então fazia trabalhos nos hospitais para compensar.
Eu não aguentava mais ver hospital, até que um dia pedi para minha mãe me levar para casa. Ela foi conversar com a médica, que me liberou, porém no caminho de volta para casa senti fortes dores, minha mãe simplesmente desviou o caminho de casa e me levou a outro hospital (que estava no caminho).
Chegando no hospital, fiz um ultrassom na emergência, eu lembro do médico chamar uma enfermeira que pediu que eu a acompanhasse (eu pensando que ia fazer um novo exame), eu estava na verdade sendo levada para sala de parto. A Mariane havia chutado a placenta, e por não conter Líquido amniótico a placenta se rompeu e estava a sufocando. A minha mãe queria acompanhar o parto, porém não deu tempo, durou certa de 5 minutos todo o procedimento.
A Mariane nasceu prematura, e ficou internada por um tempo, essa época foi muito difícil, pois eram idas e vindas do hospital várias vezes ao dia para retirar leite, cada dia era penoso, porém era uma vitória. Depois de um período da UTI neonatal ela pode ir para casa.
Muitas coisas aconteceram durante esses oito anos, e eu vou contando as histórias para vocês aos poucos. Mas resumido, hoje a Nanne é uma criança linda, normal, saudável e muito esperta, não possuí nenhuma sequela por conta do nascimento prematuro ou da gestação oligoâmnio, ela não possuí um contato assíduo com a família paterna biológica, às vezes algumas ligações esporádicas, mas isso eu conto outro dia. 
Hoje revendo esse período da minha vida eu vejo o quanto é importante o acompanhamento familiar durante o crescimento dos filhos, um canal aberto para conversas, menos PREconceitos. Temos sim que educarmos nossos filhos a partir dos nossos valores, porém devemos nos atentar que algumas coisas mudam com os tempos, falar é bom mas escutar é essencial. Muitas coisas podem ser evitadas, muitas coisas podem ser amenizadas quando se tem os seus pais como seus amigos.


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