2011

O pior sábado da minha vida!

14:00

Eu ainda não consigo descrever o que sinto ao lembrar, de um dos piores dias da minha vida, que passei com o Murillo. Ser mãe adolescente, te causa um milhão de medos, eu confesso que quando eu olhei para o Murillo a primeira vez no meu colo eu pensei  "ele é de verdade" meu coração parou por um segundo, e me disse, "ele é o amor da sua vida, a partir de hoje, seu motivo de viver!"

No dia em que ele nasceu eu nem consegui dormir, de tanto amor, de tanta alegria, de tanto TUDO que eu estava sentindo, meio dopada da anestesia ainda. Depois de todas as visitas, tudo o que aconteceu, ao final do dia deitamos na cama juntos, eu, ele e o Rapha e ali eu descobri o porque Deus havia colocado ele em nossas vidas. 

Depois de quase 1 mês do Murillo eu achava saber de tudo, me virar e fazer tudo, já havia dado banho nele, trocado diversas vezes e na fralda eu era craque, dar o peito melhor ainda, até que meu leite secou, secou por antibiótico, porque o meu corte da cesárea infeccionou. E partimos o Aptamil AR e mamadeira, me lembro de dar mamadeira para o Murillo somente 1 mês, até o bendito dia. (não me lembro exatamente a data!)

Era um sábado, o Rapha trabalha todos os sábados até 13h da tarde e como morávamos na casa da mãe dele, eu sempre ia de manhã passar o dia com a minha mãe e aproveitar aquele tempinho para ficar perto da minha família, com o Muri. Nesse dia nós fomos para a empresa resolver uns problemas, e eu havia esquecido a mamadeira dele em casa, pedi para o meu irmão comprar uma (meu irmão na época tinha 14 anos), ele comprou a mamadeira mais legal da farmácia, mas não olhou o tamanho do bico, CLARO, ele tinha 14 anos, nem sabia disso! Eu também não olhei e fiz o mama do Murillo, a empresa tinha dois andares, eu fui para a sala de reunião que ficava no primeiro, SOZINHA, comecei a dar mamar para o Murillo normal. 

Quando minha tia entrou na sala que tirei a mamadeira da boca dele, ele engasgou, eu não, ou não lembro como, tudo naquele dia parece meio que um flash pra mim, tentei de tudo o que me ensinaram no hospital assoprei a moleira dele, dei uns tapinhas nas costas e cheguei até a chacoalhar ele, minha voz não sai e eu não conseguia gritar pela minha mãe. Lembro da minha tia me empurrar e gritar, "CAMILA ELE ESTÁ ENGASGADO!" nessa momento eu despertei e sai correndo, subi as escadas em dois passos ou em um, cheguei na sala da minha mãe e só consegui falar "MÃE O MURILLO, SOCORRO, MÃE O MURILLO!" Ela arrancou ele das minhas mãos, ele estava ficando roxinho, virou ele de bruços e deu tapas nas costas dele pressionando o peito, ele cuspiu UMA BOLA de leite, muito leite e na mesma hora mudou de cor, isso foi o que a moça que estava com a minha mãe na sala me contou. 

Porque nessa altura eu já estava ao telefone com os bombeiros, em 5 minutos chegaram 2 ambulâncias, 2 carros de policia e os bombeiros, MUITA gente, lembro da minha mãe passando do meu lado no primeiro andar com o Murillo, correndo,ela gritava no meio da rua por ajuda, quando todo mundo chegou, não sabíamos se ele estava bem realmente, o SUSTO foi muito grande. 

Os médicos examinaram ele lá mesmo, na sala de reunião, me acalmaram e examinaram também eu e minha mãe, falaram que ele estava bem e pediram a mamadeira que eu havia dado a ele. E a médica me mostrou que aquele bico era nº2 (para crianças maiores de 6 meses) ele sugava muito mais leite do que conseguia engolir, por isso, se engasgou tanto. 

Eu não conseguia parar de chorar, minhas pernas tremeram pelo resto do dia, não consegui contar para o Rapha o que havia acontecido, juro que nunca mais quero passar por isso na minha vida, depois desse dia eu nunca mais dei uma mamadeira para o Murillo até os 8 meses, eu não conseguia, a cena vinha na minha cabeça toda hora, eu morria de medo de matar o meu filho. 

O Rapha sempre deu mamadeira para ele no meu lugar e eu ficava do lado atenta para qualquer respiração diferente dele, minha mãe, minha sogra e meu pai eram quem fazia quando o Rapha não estava. 
Até hoje relembrar esse dia me causa uma dor tremenda, jamais quero sentir a sensação de estar perdendo a minha vida de novo, o Murillo é tudo para mim. 





  

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3 comentários

  1. É realmente uma sensação horrível, lembro de quando meu pequeno engasgou... Não sou uma jovem mãe, pois tive meu 1º filho aos 28 anos e o meu pequeno vai fazer um ano agora... Mas admiro a pagina de vcs e gosto de ler suas experiencias. Obrigada pelo Blog.

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    1. Sentimento de mãe não muda, independente da idade, eu tenho medo até hoje quando ele se engasga ele tem 3 anos hoje, e mesmo assim eu fico doida! Não consigo ter calmas nessas horas!

      Que bom ler seu comentário, muito obrigada por nos acompanhar! Fazemos com todo carinho para vocês♥

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  2. Nossa que susto
    Ainda bem que deu tudo certo
    Eu acho que deveriam ensinar a todas as mães no pré natal os primeiros socorros
    Bjs
    Sou mãe de cinco

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